Como devo abreviar hora ou horas?
Usando h, sem s nem ponto: 15h, 20h, 18h15min, 22h05min, etc., e não: 15:00,20 hs., 18:15 hrs., 22:05 h. Quem separa as horas dos minutos usando dois pontos são os ingleses.
O primeiro dia do mês é primeiro ou posso dizer também um?
O primeiro dia do mês é sempre primeiro. O caro leitor já imaginou alguém, no dia primeiro de abril, pregando uma mentira e saindo-se com esta: "Um de abril!" ? Que mentira mais sem graça!...
O nome é Rubem ou Rubens?
Rubem é o nome rigorosamente correto, mas alguns pais acharam que seus filhos eram mais que um, eram realmente fantásticos. Então, puseram neles o nome Rubens. Note, entretanto, que temos Rubem Braga, Rubem Berta, Rubem Fonseca, todos corretos.
Posso dizer que valo muito?
Quem diz "valo muito" não vale coisa nenhuma. Já quem diz "valho muito" pode até valer. Espero que, de fato, valha.
Certa vez pegamos em flagrante uma garota perguntando ao espelho nestes termos,depois de olhar-se de alto a baixo, contemplando o seu belo corpo: "Será que não valo nada?". Valia ?
Palavra correta:.. enfarte ou infarto?
As duas, mas há leve preferência pela segunda. Os jornalistas brasileiros, porém, criaram uma terceira forma: infarte, que só colabora com que professores de português tenham infartos...
Alguém pode ter ameaça de infartar?
Não. Ameaça (no singular) somente há quando está associada a intimidação: ameaça de greve, ameaça de paralisação, ameaça de golpe, etc. Se não for assim, o que há são ameaças ou ameaços: ameaças de infarto, ameaços de enfarte, etc.
Posso pedir o mais absoluto silêncio?
Não; porque aí há redundância. Em absoluto já existe a idéia de maior, o mais. Por isso, prefira pedir absoluto silêncio, que o silêncio se fará.
Eis outras expressões redundantes: emulsão de óleo, novidade inédita, plebiscito popular, manter o mesmo time, problema individual de cada um. Tudo isso é coisa de demente mental. . .
Existe raio X?
Não. O que o mundo conhece é outra coisa: raios X. Há, todavia, muito médico por este Brasil afora que afixa uma enorme placa à frente do consultório: RAIO X. São confiáveis?
Os brasileiros querem explorar a Antártida. Vai dar certo?
Se depender da língua, vai dar errado. Convém que eles mudem o rumo e se dirijam à Antártica, que é região existente no planeta. Ir à Antártida é fria...
Podemos dizer que a Nicarágua tem uma presidenta?
Sem dúvida. Existem quatro nomes que podem variar ou não, em gênero:presidente, governante, hóspede e parente. Sendo assim, tanto faz usarmos a presidente quanto a presidenta; a governante quanto a governanta; a hóspede quanto a hóspeda;a parente quanto a parenta.
Dou marcha-ré ou marcha à ré?
Dê sempre marcha à ré. Anote mais estas ortografias: alto-falante, alto mar (sem hifem), disco-voador (com hifem), ano-novo (e não: Ano Novo), ano-bom (e não: Ano Bom), papel-almaço, papel-carbono, aeroclube (e não: Aero Clube).
Mulher, quando agradece, diz obrigado?
Não. Mulher, quando agradece, deve dizer obrigada, embora muitas digam apenas brigado, cometendo dois erros de uma só vez. É muita economia.
A pessoa a quem se agradece deve responder por nada, e não de nada. Alguns se limitam a responder nada.
Muitos, ainda, em vez de por nada, respondem: obrigado(a) você, que não significa absolutamente coisa nenhuma. Não quer dizer por nada?
Diga,então,obrigado(a),digo eu. A língua e o bom-senso agradecem...
Posso ficar de bruço?
Não, prefira ficar sempre de bruços, que não terá cãibras... Também não fique de cocre; fique só de cócoras.
Cãimbra ou câimbra?
Tanto faz. Anote mais estas formas variantes: pendurar e dependurar, entoação e entonação, lambuzar e enlambuzar, hidroelétrica e hidrelétrica, hidroavião e hidravião, heml e heinl, hemorróidas e hemorróides (sempre com s final), samambaia e sambambaia, geringonça e gerigonça, empanturrar e empaturrar.
Afinal, escrevo alibi ou álibi?
Escreva sempre álibi. Alguns dizem, em tom professoral: "Latinismos não têm acento gráfico". perguntemos-lhes, então: "E grátis? E mapa-múndi? E álbum? E cútis?". Todos são latinismos.
Posso dizer que expludo de alegria quando estou em Salvador?
Não: a forma expludo não existe. Quanto ao verbo explodir e demais defectivos, também não existe exploda, como se ouve muito: "Quero que ela exploda" . A língua, assim, explode antes...
É verdade que o alface está caro?
Não sei, mas a alface está caríssima! Nunca vi uma alface tão cara quanto a brasileira.
Confesso não conhecer nenhuma verdura digestível que" atenda" pelo nome de o alface...
É verdade que a inflação foi só de 1.2 %?
Não: a inflação pode ter sido de 1,2%. Há, contudo, os que dizem: "A inflação foi de um ponto dois por cento". Isto é: mentem duas vezes...
Quem não é chegado a mentiras, diz melhor: "A inflação foi de oitenta e um vírgula dois por cento", pois não se usa ponto por vírgula.
Qual o nome correto: Hortência ou Hortênsia?
Hortênsia, escreva sempre com s. Anote mais estes nomes: Persival, Moji, Queirós, Hiroxima, Nagasáqui.
Devo perguntar: que horas chegaremos? ou a que horas chegaremos?
Pergunte, sempre com o a antes do que: A que horas chegaremos? (E não: Que horas chegaremos? A que horas começa o programa? (E não: Que horas começa o programa?) Também não pergunte: "Que horas tem aí?". Valha-se da pergunta antiga, que ainda é a melhor: "Que horas são?".
Eu se perdi inteiramente.
Eu combinando com se!? Onde? Em que língua?
Eu combina com me, assim como nós combina com nos:
Eu me perdi inteiramente.
Nós nos perdemos inteiramente. (E não: Nós se perdemos inteiramente.)
Dia desses, ouvimos de um político: "Nós se preocupamos muito com o futuro do Brasil". Estamos vendo...
Pela televisão, declara uma futura mãe: "Se um dia eu tivesse um filho guei ou uma filha sapatão, eu se matava". E agora?
Meu filho é de menor?
Não. Seu filho é menor, ou seja, é menor de idade.
O meu, todavia, é maior, maior de idade. Quem diz "de menor", "de maior", não fala como gente grande. Nem como gente que entende.
Devo comprar carro à álcool?
Não, compre carro a álcool: antes de palavra masculina não use à. Pode comprar carro à gasolina: antes de palavra feminina, numa locução, usamos à. Hoje, todavia, há pessoas que, em vez de comprarem carro a álcool ou carro à gasolina, estão preferindo andar a pé e até a cavalo...
Existe febre alta?
Nem baixa. A temperatura do corpo é que fica alta ou baixa; a febre é intensa, amena, etc. Ninguém tem, ainda, muita ou pouca febre. Febre não se mede; ignorância, talvez...
Compro tudo a vista ou à vista?
Compre tudo à vista, e não à prestação. Como afirmamos, antes de palavra feminina, numa locução iniciada por a, usamos o acento. Por isso é que devemos lavar roupa à mão, ouvir rádio à pilha, escrever à máquina, fechar o portão à chave e, também, matar alguém à bala, praticar atentado à bomba, atirar à queima-roupa. Repetimos: todo a que inicia locução com palavra feminina deve ser acentuado. A única exceção fica por conta de a distância, quando a distância não for determinada. Ex.: Os policiais ficaram observando a manifestação a distância. Havendo determinação, o acento aparece: Os policiais ficaram observando a manifestação à distância de cem metros.
Ignorância é assim fácil de medir?
Ignorância, muitas vezes, é muito fácil de medir...
Após fácil de, difícil de, duro de, gostoso de, bom de, ruim de, não se usa se. Por isso é que existe remédio duro de tomar, automóvel gostoso de dirigir e sogra difícil de agüentar...
Aids é o quê, afinal?
É uma sigla inglesa. Os portugueses e os povos de língua espanhola, os quais nós, brasileiros, deveríamos seguir, não dizem aids, mas sida, já que se trata de síndrome da imunodeficiência adquirida. Note: sempre com inicial minúscula; os jornalistas brasileiros, além de usarem uma sigla alienígena, ainda escrevem com inicial maiúscula. Por que não escrevem também Diabetes, Câncer, Tuberculose, Diverticulite? Ora, inicial maiúscula em nome de doença ou síndrome...
Diz-se que os anos sessenta foram ótimos!
Melhores foram os anos sessentas. Muito melhores que os anos setentas (que tiveram a crise do petróleo), muito melhores que os anos oitentas (que tiveram Sarney) e - com certeza - muito melhores que os anos noventas.
Nesse caso, quem usa o singular comete erro de concordância, semelhante a nós foi e a eu pôs. Os jornalistas brasileiros escrevem e dizem como?
Quer dizer que Leblom também se escreve com m final?
Não só Leblom, mas Calmom, Saigom, Ramom, Simom, Trianom; enfim, todas as palavras oxítonas terminadas com tal som devem ser grafadas com m final, e não com n.
O nome correto é Andrea ou Andréia?
Andréia é a forma portuguesa; Andrea é a forma italiana. O caro leitor escolhe qual?
Eis mais cinco nomes corretos: Dorotéia, Dulcinéia, Enéias, Léia e Vanderléia.
É bom morar em casa germinada ?
É perigoso à beça!... Em casa germinada deve haver germes em todo canto... Prefira morar em outro tipo de casa, bem mais saudável: na geminada. É esta que vem de gêmea, e não aquela, que vem de germe. O povo, todavia, criou a casa germinada e acredita piamente que mora nela...
Menas é bom?
Menas é péssimo! Nossa língua só possui menos: menos complicações, menos gente, menos casas, menos despesas, etc.
Um ex-candidato à Presidência da República, todavia, vive com o menas na boca e, certamente, dorme com ela. Certa vez, durante a campanha, disse: "O que o Brasil precisa é de menas safadeza, menas incompetência e menas maracutaia". O que mais ardentemente queremos é menos tudo isso aí...
Posso namorar com?
Não, prefira apenas namorar: é mais saudável e não compromete a língua. Por isso: Nunca namorei essa garota. (E não: Nunca namorei com essa garota.) Você quer me namorar? (E não: Você quer namorar comigo?)
Hoje, muita gente diz " a gente fomos", " a gente temos ". É correto isso?
Na Idade da Pedra, poderia até ser. Hoje, não: a gente pede verbo na terceira pessoa do singular, obrigatoriamente (a gente foi, a gente tem, a gente viu, a gente irá, etc.). Quem usa "a gente fomos, a gente temos, a gente vimos, a gente iremos", revela possuir pouca escolaridade.
Convém dizer, por outro lado, que não há nenhuma impropriedade no uso de a gente em substituição a nós ou ainda a eu. Ex.:
A gente foi lá e não encontrou ninguém.
A gente vai votar outra vez.
Nasci a 18 de dezembro ou em 18 de dezembro?
Tanto faz: usa-se a ou em antes de datas. Use, ainda, indiferentemente:
Domingo viajaremos. (Ou: No domingo viajaremos.)
Semana que vem voltaremos. (Ou: Na semana que vem voltaremos. )
Mês passado choveu muito. (Ou: No mês passado choveu muito.)
Ano passado geou. (Ou: No ano passado geou.)
Um apaixonado pode declarar-se desta forma: " Eu te amo você"?
Só os pseudo-apaixonados fazem esse tipo de declaração; os verdadeiros dizem ao ser amado: "Eu te amo". Ou, então: "Eu amo você". Te não se mistura com você. Por isso, jamais diga "Vou te contar pra você", nem mesmo para os seus amigos mais íntimos: eles não lhe perdoarão. . .
"Vem pra Caixa você também" é um bom convite
É um convite no mínimo deselegante, já que não leva em conta uma norma elementar da nossa língua: não pode haver mistura de tratamento, ou seja, te ou tu não se mistura com você (a segunda pessoa não combina com a terceira). Quem tem um mínimo de bom-senso, de respeito, convida assim: Venha pra Caixa você também. Ou, então, assim: Vem pra Caixa tu também. Porque venha é da terceira pessoa, assim como você; vem é da segunda pessoa, assim como tu. Pronto: houve uniformidade de tratamento, a língua não foi agredida.
Um órgão federal como a Caixa Econômica deveria cuidar um pouco mais do nosso patrimônio cultural, o idioma, divulgando ao público uma frase mais respeitosa, mais digna. Esperávamos que, com a mudança de diretoria da Caixa, houvesse mais seriedade no órgão, com a eliminação do erro. Não houve. Seu presidente, aliás, recentemente, cometeu a agravante de dirigir carta ao presidente da República, nestes termos: "Vem pra Caixa o senhor também". O Brasil Novo, como se vê, não é tão jovem assim...
Os criadores da lamentável frase ''Vem pra Caixa você também" argumentam simploriamente que vem é mais eufônico que venha. Ora, se a nossa língua fosse guiar-se apenas e tão somente pela eufonia para estabelecer as suas normas, certamente não agasalharia os verbos abundar e disputar. Essa gente não sabe nem mesmo o que diz; imagine, então, se sabe o que cria.
O analfabetismo é um agravante ou uma agravante?
O analfabetismo, assim como a falta de respeito e de bom-senso, será sempre uma agravante na formação de qualquer personalidade. A exemplo de atenuante, a palavra agravante é feminina.
Com palavras no plural uso a ser ou a serem, a não ser ou a não serem?
Tanto faz:
Ele não via virtudes em ninguém, a não ser as suas. (Ou: a não serem as suas.)
As crianças a ser matriculadas chegam a cem. (Ou:As crianças a serem matriculadas chegam a cem.)
Existe acordo amigável?
Assim como existe hepatite do fígado e pomar de frutas... Neste mundo que Deus criou, não pode haver acordo que não seja amigável. Ou o caro leitor já viu algum acordo litigioso? Não obstante a evidente redundância aí existente, não faltam advogados (os despreparados, evidentemente) que insistem em propor um acordo amigável à parte contrária, muitas vezes diante de egrégios e competentes magistrados (que não têm culpa ).
Os verdadeiros advogados buscam apenas um acordo com a parte contrária; os juízes simplesmente homologam um acordo.
O Brasil é um país que ia pra frente ou prá frente?
Não acentue a redução de para a (pra) nem a redução de para o (pro). Assim, devemos escrever (injusta e mentirosamente) :
O Brasil é um país que ia pra frente. Agora, o Brasil é um país que vai pro buraco.
O preço pode ser caro ou barato?
Não, o preço pode ser alto ou baixo; os produtos é que são caros ou baratos. Assim, temos:
O preço da gasolina está alto demais. A gasolina é cara demais.
O preço deste livro é baixo demais. O livro é barato demais.
E viva o preço alto!...
É correto usar "Não deu para chegar mais cedo"?
Não na língua culta, que prefere esta construção: "Não foi possível chegar mais cedo". Na língua popular, todavia, usa-se o verbo dar com impessoal:
Não dá para fazer isso sozinho. (= Não é possível fazer isso sozinho.)
Dava para vocês me qiudarem? (= Era possível vocês me ajudarem?)
Não obstante isso, muita gente continuará afirmando admirada, e com muita convicção: "Presidente, assim não dá!"...
Devo encarpetar meu apartamento?
Não procure sarna: acarpete o seu apartamento e livre-se do desconforto. Não existe o verbo encarpetar; use acarpetar ou, então, carpetar.
Por falar em apartamento, como abrevio essa palavra?
Abrevie apartamento assim: ap. ou apart., mas nunca apto., como faz quase todo o mundo.
Devo escrever icerberg ou aicebergue?
Num texto em inglês, escreva iceberg; num texto em português, use aicebergue. O caro leitor está acostumado a escrever em que língua?
Eis mais cinco aportuguesamentos: langerri, laicra, náilon, náicron e limusine, que correspondem às formas estrangeiras lingerie, lycra, nylon, nycron e limousine.
Torço para o Coríntians?
Não. Prefira torcer pelo Corinthians: o verbo torcer pede por, e não para; Corinthians se escreve com th e sem acento, apesar dos jornalistas (palmeirenses, por certo), que escrevem Coríntians, corrompendo o nome do clube. O adjetivo se escreve sem h (corintiano).
Posso dizer que estou quites com o serviço militar?
Não. Quites é do plural; por isso, diga: "Estou quite com o serviço militar", "Nós estamos quites com o serviço militar"
Posso tomar água saloba?
Essa água mata! Principalmente e primeiro a língua. Prefira tomar água salobra: é mais saudável. Por falar em água, use indiferentemente água fervente ou água fervendo, mas só pluralize a primeira: águas ferventes.
Devo escrever hífen ou hifem?
Como quiser: as duas formas são corretas, com ligeira preferência, até, pela segunda.
Ante ao exposto, chego a uma conclusão: não vou mais escovar os dentes.
Não chegue a tanto: use só ante o exposto, já que ante (preposição) pede artigo (ante o exposto, ante a decisão, ante o resultado, ante a promulgação, etc.).
Muitos advogados (os despreparados, evidentemente) escrevem ante ao exposto. Os verdadeiros advogados, todavia, escrevem sem machucar a língua nem ofender a cultura do magistrado: ante o exposto.
Aluga-se apartamentos: correto?
Errado. Esse tipo de verbo vai ao plural, quando o elemento seguinte está no plural. Por isso:
Alugam-se apartamentos. Oferecem-se vantagens.
Vendem-se casas. Compram-se terrenos.
Dão-se aulas particulares de português.
Muitos anunciam assim nos jornais: "Dá-se aulas particulares de português". Dão?
Quem toma muito aguardente fica o quê?
Fica principalmente deselegante. Quem sabe beber, pode até tomar muita aguardente, nem por isso ficará bêbado a ponto de dizer que tomou muito aguardente, que é palavra feminina: a aguardente, uma aguardente, boa aguardente.
Cuspido e escarrado?
O povo, quando vê uma pessoa muito parecida com outra, diz: "Nossa, como esse rapaz é parecido com o pai! Ele é o pai, cuspido e escarrado". Na verdade, deveria dizer: "Ele é o pai, esculpido e encarnado". Como o povo não é muito dado a esculpir nem a encarnar, substituiu as palavras por outras que lhe são mais próprias. Recentemente, ouvimos uma pessoa dizer: "Vige, essa menina saiu à mãe, cuspidinha e escarradinha!" .
Consagrada ou não, convém saber que, num banquete, por exemplo, é de bom-senso utilizar a outra.
Existem luzes de neon?
Não. Existem, sim, luzes de néon ou de neônio. O povo, contudo, gosta muito das luzes de neom (que não iluminam)... O pior é que escrevem ainda neon.
Isso é para eu ler. (E não.: Isso. é para mim ler.)
Deixaram tudo. para eu fazer. (E não.: Deixaram tudo. para mim fazer.) Não
havendo verbo, use mim: Isso. é para mim, Deixaram tudo. para mim.
Qual a diferença entre história e História?
A história é a ciência que cuida dos fatos ocorridos ao longo do tempo, documentando-os; História, com H, é nome de disciplina, assim como Matemática, Portugues, Inglês, Desenho, Geografia, etc.
Há muita gente que assiste a aulas de Português, mas não aprende português.
E a palavra estória? Existe ou não?
Apesar da caturrice de alguns, existe. Estória é conto infantil, ficção; conversa fiada, lorota, baleIa.
Um professor, na sala de aula, conta a história do Brasil a seus alunos. Um ladrãozinho qualquer, para safar-se da prisão ou da condenação, conta mil estórias ao juiz, que muitas vezes as toma por histórias e o absolve.
Afirmar que um vagabundo qualquer conta histórias ao juiz é mentir descaradamente e subtrair à palavra a nobreza de significado que ela tem.
Devo andar a cem quilômetros por hora?
No máximo! Sempre sem o acento no a, antes de numeral: a cem quilômetros, a mil metros, etc. Só use o acento quando se tratar de horas: chegamos à uma hora, e não às duas horas.
Entro de férias ou em férias?
Como quiser, assim como pode ficar de pé ou em pé. Mas só entre em greve, ainda que muitos prefiram entrar de greve, o que é absolutamente ilegaL.
Não use de pé por a pé, como se faz no Nordeste, onde se ouve comumente: "Não vou de carro não, vou de pé mesmo". Vá a pé. Ainda que seja ao inferno, vá a pé...
De noite ou à noite?
Tanto faz, desde que você vá a pé... Pode ir também, indiferentemente, de tarde ou à tarde. Se preferir, vá de manhã ou pela manhã.
Posto que equivale a "porque" ?
Só os maus advogados usam posto que como equivalente de porque; os bons empregam posto que apenas por embora : O réu foi absolvido, posto que contra ele houvesse inúmeras provas. (E não, como fazem os advogados despreparados: O réu foi absolvido, posto que não havia provas contra ele.)
Devo sentar na mesa?
Não! gente educada, civilizada, elegante, sentar-se à mesa já que o verbo é sentar-se, e não simplesmente sentar, e quem está encostado, perto da mesa, está à mesa, e não na mesa.
Na mesa ficam, pratos, talheres, toalhas, etc...
Alguém pode ficar esperando uma pessoa na porta?
Se for inteligente, preferirá ficar esperando à porta: é bem menos complicado. O caro leitor já viu alguém na porta, dentro dela?
Há as que dizem: "O ônibus passa na parta de casa". Passar na porta é passar por cima dela! Apesar de ser uma porta - convenhamos - ela não tem culpa!...
Devo escrever todo mundo ou todo o mundo?
Escreva sempre todo o mundo, em qualquer sentido:
Todo o mundo nasce nu. (= Todas as pessoas nascem nuas.)
Todo o mundo está poluído. (= O mundo inteiro está poluído.)
Não há quem faça jornalista brasileiro aprender isso. Eles escrevem todo mundo, imaginando que todo o mundo só pode ser usado em referência ao mundo inteiro. É...
Sua sogra come toda hora?
Não! sogras comem a toda a hora, a toda a velocidade, a todo o momento, a todo o instante, sempre com o artigo.
Escola do primeiro e segundo graus?
Não, embora haja muitas escolas par aí que assim se intitulem, o que não deixa de ser uma ironia e uma tristeza. Antes dos numerais ordinais, nesse caso, o uso do artigo é obrigatório: escola do primeiro e segundo graus. Ninguém cursa primeiro nem segundo graus; todo o mundo cursa o primeiro e o segundo graus.
Há pouco tempo tivemos uma eleição em dois turnos; no primeiro turno venceram Collor e Lula; no segundo, venceu elle. Ninguém votou em primeiro turno nem em segundo turno, mas no primeiro turno, no segundo turno.
Escolas do primeiro e segundo graus, por favor, emendai -vos!
As vendas, no comércio, caíram em 50%?
Essa é uma frase típica de jornalista, que usa em antes de numeral percentual, sem nenhuma necessidade. Diz ou escreve melhor quem faz assim: As vendas, no comércio, caíram 50 %. E ainda se economizam tempo e espaço...
Eis duas frases colhidas no jornal Folha de S. Paulo:
Conjunto de opcionais pode aumentar o preço de um carro em mais de 20 % .
O movimento de compensação de cheques em Salvador caiu em cerca de 30 % .
Senhores jornalistas, economizem o nosso tempo, a nossa paciência e o espaço de seu jornal!
Posso dizer que amanheceu o dia?
Se acha que é razoável dizer " amanheceu a noite", pode usar à vontade essa redundância de assustar jegue. Basta dizer amanheceu. Já não se entende que foi o dia?
Certa vez lemos no pára-choque de um desses camioneiros folgados da vida: "Quer você acorde ou não, o dia amanhecerá" . Camioneiros de todo o Brasil, acordai!...
Camioneiro ou caminhoneiro?
Camioneiro é forma várias vezes melhor que caminhoneiro, que, a exemplo de minissaia, é a forma oficial. Foi outro equívoco (?) de quem a oficializou, naturalmente pensando que a palavra tinha algo que ver com caminho.
Tomaram caminho errado...
A verdade é que não se pode, então, afirmar que caminhoneiro é forma errada; o equívoco está consagrado oficialmente, assim como Mossoró, que, por ser nome de origem indígena, jamais deveria ser escrito com ss. Mas está lá, registrado. Os que têm bom-senso, todavia, escrevem camioneiro, mini-saia e Moçoró.
Discrição ou discreção?
Discrição, evidentemente. A forma discreção, assim como indiscreção, foi criada pelo povo, que viu discreto e indiscreto e passou a usar aquelas formas, por analogia como estas. O aconselhável, sempre, é manter a discreção, jamais cometer indiscreções.
Pessoal Boa Sorte com o português!
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